O que é isso companheiro – 1997

Escrevo hoje sobre esse filme por que hoje, dia 4 de setembro faz 40 anos que o embaixador Charles Burke Elbrick foi seqüestrado em solo brasileiro por dois grupos revolucionários , o filme conta como foi idealiza e executada essa operação para liberar 13 prisioneiros que representavam na época todas as lideranças de esquerda no Brasil presos pelos militares e sofrendo torturas nos porões da ditadura.
Esse filme foi em primeiro lugar indicado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1997 perdendo para o holandês Karakter de Mike Van Diem que na minha opinião foi muito bem premiado por que nunca um filme Brasileiro que fala do seqüestro de um embaixador americano seria premiado mas quase chegamos lá isso que vale .
Um bom filme nacional do movimento da retomada dirigido por Bruno Barreto que mostra os 4 dias em detalhes do que se passou no cativeiro em que ficou o embaixador americano para que os 15 presos fosse mandados para o México em troca do embaixador americano.
Com essa ações os dois grupos que idealizaram o seqüestro foram no filme o MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e a ALN (Ação Libertador Nacional) e como se transcorreu o seqüestro .
Um filme Razoável em termos de qualidade com boa aceitação no cinema mas que mostra a historia apenas pela ótica de Fernando Gabeira que com Franklin Martins escreveram o manifesto que foi lido em todas a redes de TV e radio dizendo que havia tortura no Brasil e que se pedia pela libertação do embaixador americano.
Apesar de todo valor histórico do filme a vários erros que foram ignorados para que pudesse ser realizado se baseando o pífio livro de Fernando Gabeira do mesmo nome.
O filme mostra como o guerrilheiro Jonas (Virgílio Gomes da Silva) um dos mais famosos desaparecidos do período que é chamado de anos de chumbo, ele que comandou toda a operação e é interpretado magistralmente por Matheus Nachtergaele.
Com participação espetacular de Matheus Nachtergaele como Jonas , Fernanda Torres como Maria e os outros atores participações menores de Pedro Cardoso (paulo) , Luiz Fernando Guimarães (Marção ) e Caio Junqueira em uma de suas primeiras participações no cinema como (o jovem Guerrilheiro Julio)
Elenco:
Alan Arkin (Charles Burke Elbrick)
Fernanda Torres (Maria)
Pedro Cardoso (Fernando / Paulo)
Luiz Fernando Guimarães (Marcão)
Cláudia Abreu (Renée)
Nelson Dantas (Toledo)
Matheus Natchergaele (Jonas)
Marco Ricca (Henrique)
Maurício Gonçalves (Brandão)
Caio Junqueira (Júlio)
Selton Mello (César / Osvaldo)
Du Moscovis (Artur)
Caroline Kava (Elvira Elbrick)
Fernanda Montenegro (Dona Margarida)
Lulu Santos (Sargento Eiras)
Alessandra Negrini (Lília)
Antônio Pedro (Padeiro)
Mílton Gonçalves
Othon Bastos
Bruno Barreto
Waldir Amaral (narração do jogo)
Curiosidades:
- O diretor Bruno Barreto e o roteirista Leopoldo Serran optaram por condensar nos personagens principais de O Que É Isso, Companheiro? os vários elementos da guerrilha urbana do Brasil na época da ditadura. Deste modo, os personagens interpretados por Pedro Cardoso, Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Cláudia Abreu e Nélson Dantas são ao mesmo tempo todos os militantes da época e nenhum em especial.
- O diretor Bruno Barreto parece em uma cena ao fundo tomando café no bar.
- O único guerrilheiro que existiu de verdade foi o interpretado por Matheus Natchergaele. Ele se chamava Virgílio Gomes da Silva e morreu sob tortura.
- Ao ser lançado no Brasil, O Que É Isso, Companheiro? gerou muita polêmica por ter valorizado mais a ação em detrimento da política do período da ditadura militar e também por causa de algumas liberdades históricas tomadas no filme.
- A intenção de filmar O Que É Isso, Companheiro? surgiu ainda em 1980, logo após o livro de Fernando Gabeira ter sido publicado. Na época os direitos para a adaptação cinematográfica foram comprados pela produtora Lucy Barreto, que só pôde fazer do filme uma realidade 17 anos depois.
- No filme, o embaixador é libertado durante um Flamengo x Vasco, enquanto que na verdade ele foi solto durante um Flamengo x Bangu.
- O Que É Isso, Companheiro? teve um orçamento de US$ 4,5 milhões.
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
Para ler o manifesto na integra abaixo .
“Grupos revolucionários detiveram hoje o sr. Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum lugar do país, onde o mantêm preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.
Na verdade, o rapto do embaixador é apenas mais um ato da guerra revolucionária, que avança a cada dia e que ainda este ano iniciará sua etapa de guerrilha rural.
Com o rapto do embaixador, queremos mostrar que é possível vencer a ditadura e a exploração, se nos armarmos e nos organizarmos. Apareceremos onde o inimigo menos nos espera e desapareceremos em seguida, desgastando a ditadura, levando o terror e o medo para os exploradores, a esperança e a certeza da vitória para o meio dos explorados.
O sr. Burke Elbrick representa em nosso país os interesses do imperialismo, que, aliados aos grandes patrões, aos grandes fazendeiros e aos grandes banqueiros nacionais, mantêm o regime de opressão e exploração.
Os interesses desses consórcios de se enriquecerem cada vez mais criaram e mantêm o arrocho salarial, a estrutura agrária injusta e a repressão institucionalizada. Portanto, o rapto do embaixador é uma advertência clara de que o povo brasileiro não lhes dará descanso e a todo momento fará desabar sobre eles o peso de sua luta. Saibam todos que esta é uma luta sem tréguas, uma luta longa e dura, que não termina com a troca de um ou outro general no poder, mas que só acaba com o fim do regime dos grandes exploradores e com a constituição de um governo que liberte os trabalhadores de todo o país da situação em que se encontram.
Estamos na Semana da Independência. O povo e a ditadura comemoram de maneiras diferentes. A ditadura promove festas, paradas e desfiles, solta fogos de artifício e prega cartazes. Com isso, ela não quer comemorar coisa nenhuma; quer jogar areia nos olhos dos explorados, instalando uma falsa alegria com o objetivo de esconder a vida de miséria, exploração e repressão em que vivemos. Pode-se tapar o sol com a peneira? Pode-se esconder do povo a sua miséria, quando ele a sente na carne?
Na Semana da Independência, há duas comemorações: a da elite e a do povo, a dos que promovem paradas e a dos que raptam o embaixador, símbolo da exploração.
A vida e a morte do sr. embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas duas exigências são:
a) A libertação de quinze prisioneiros políticos. São quinze revolucionários entre os milhares que sofrem as torturas nas prisões-quartéis de todo o país, que são espancados, seviciados, e que amargam as humilhações impostas pelos militares. Não estamos exigindo o impossível. Não estamos exigindo a restituição da vida de inúmeros combatentes assassinados nas prisões. Esses não serão libertados, é lógico. Serão vingados, um dia. Exigimos apenas a libertação desses quinze homens, líderes da luta contra a ditadura. Cada um deles vale cem embaixadores, do ponto de vista do povo. Mas um embaixador dos Estados Unidos também vale muito, do ponto de vista da ditadura e da exploração.
b) A publicação e leitura desta mensagem, na íntegra, nos principais jornais, rádios e televisões de todo o país.
Os quinze prisioneiros políticos devem ser conduzidos em avião especial até um país determinado _ Argélia, Chile ou México _, onde lhes seja concedido asilo político. Contra eles não devem ser tentadas quaisquer represálias, sob pena de retaliação.
A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos quinze líderes revolucionários e esperaremos 24 horas por seu transporte para um país seguro. Se a resposta for negativa, ou se não houver resposta nesse prazo, o sr. Burke Elbrick será justiçado. Os quinze companheiros devem ser libertados, estejam ou não condenados: esta é uma “situação excepcional”. Nas “situações excepcionais”, os juristas da ditadura sempre arranjam uma fórmula para resolver as coisas, como se viu recentemente, na subida da junta militar.
As conversações só serão iniciadas a partir de declarações públicas e oficiais da ditadura de que atenderá às exigências.
O método será sempre público por parte das autoridades e sempre imprevisto por nossa parte.
Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas.
Finalmente, queremos advertir aqueles que torturam, espancam e matam nossos companheiros: não vamos aceitar a continuação dessa prática odiosa. Estamos dando o último aviso. Quem prosseguir torturando, espancando e matando ponha as barbas de molho. Agora é olho por olho, dente por dente.”
Ação Libertadora Nacional (ALN)
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8)
Pessoal peço desculpas mais uma vez por não ter em nenhuma da minhas fontes achado o trailer do filme mas em recompesa colocarei um video da música “Para não dizer que não falei das flores do Grande Geraldo Vandre ” que se tornou um hino do périodo pós AI 5 com otimas imagens da época .
Bruno, coincidência ou não, ontem num grupo que coordeno – no início da manã no hd – cantamos esta musica. Ninguém falou do movimento (eu mesmo não me lemrava conscientemente do evento) ou do sequestro. Foi muito bacana, muita força! Gostei de ler seu texto, inclusive as curiosidades. Abç
ps: achou o filme do Pausolini?
Fernando
4 04UTC setembro 04UTC 2009 em 11:01
Bruno
Arrasou! A música traduz, por sí, tudo o que voce resume do filme.
Eu também sou ‘blogueira’, mas até estou constrangida, pq seus comentários estão ótimos e meus ‘blogs’ só falam de mim e de música…risos
Se eu criar coragem, depois te passo meu endereço, já que meus ‘blogs’ são meio “anônimos”.
bjs
soraya da rocha melo
13 13UTC dezembro 13UTC 2009 em 21:05